Insônia, oh insônia, porque não abranda-te e deixa-me dormir? Pelo menos o faça antes das 8h da manhã! Deves ser o mais sombrio dos carcereiros, cujos prisioneiros nada podem fazer a não ser recorrer a um fim de preto tarjado. Acaba me deixando nas manhãs com mesóclises oferecidas por Dostoiévski, e mesmo tal cansativa leitura não consegue me ninar! Desapareceste por um dia, achei que não mais voltaria e quando percebo, me vejo novamente à tua companhia, revirando-me e tentando adormecer.
Pois bem, não queres que eu durma, não dormirei. E assim despeço-me de ti para sempre (ou não, sempre e nunca é tempo demais), com o porém de ter que viver um dia cansativo e improdutivo, não que os outros sejam diferentes. Aí quero ver se me pegará novamente e me fará devanear como agora o faço, quero ver se aproveitar-se-á de minha sonolenta noite do dia que está a chegar.
Ficou sensacional amor.
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